Em cada canto canto passagem
Em cada santo peço sossego
No meu canto canto o enredo
Lamentando a falta de algum chamego.
Quem vai me cantar
num canto qualquer da vida?
Quem vai me cantar "parabéns pra você nessa data querida"?
Canto pois não há mais dúvida
A vida é esquisita quando quer
e é boa quando não estamos reparando.
Sigo cantando, no meu canto.
No canto cantando a gente vai levando.
É ou Não é? É.
Feliz 2010.
Boa década para todos.
segunda-feira, 28 de dezembro de 2009
quinta-feira, 10 de dezembro de 2009
Tão tão c(r)edo!
Credo!
Até teria medo se não fosse cedo.
Tá tão cedo.
Volta a dormir, menina,
Tá tão cedo. Credo!
Vamos dormir acordados?
Tá tão cedo. Terias medo?
Tá cedo. Tão cedo que dá até medo.
Credo!
Medo!
Merda!
Medo!
Merda!
Tem seda?
Até teria medo se não fosse cedo.
Tá tão cedo.
Volta a dormir, menina,
Tá tão cedo. Credo!
Vamos dormir acordados?
Tá tão cedo. Terias medo?
Tá cedo. Tão cedo que dá até medo.
Credo!
Medo!
Merda!
Medo!
Merda!
Tem seda?
terça-feira, 8 de dezembro de 2009
Pagodinho
Tem jeito?
Tem jeito se você não tem defeito?
Logo eu, que não sou lá muito direito
fui causar algum efeito numa mina sem defeito.
No peito,
coração bateu secreto
coração bateu no teto, foi ao chão
rachou o concreto
Quieto
Permaneci logo em silêncio
porque grito com freqüência
e o suspiro faz o ladrão
Apelo pelo carinho
Suplico pela sua bola
quem me dera ser Cartola
ou somente um Pagodinho.
Tem jeito se você não tem defeito?
Logo eu, que não sou lá muito direito
fui causar algum efeito numa mina sem defeito.
No peito,
coração bateu secreto
coração bateu no teto, foi ao chão
rachou o concreto
Quieto
Permaneci logo em silêncio
porque grito com freqüência
e o suspiro faz o ladrão
Apelo pelo carinho
Suplico pela sua bola
quem me dera ser Cartola
ou somente um Pagodinho.
terça-feira, 1 de dezembro de 2009
Futuro!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Tô com vontade de falar.
Tô sentindo que essa é a hora.
Salve 2010, salve uma nova década.
A vida passa rápido e o mundo gira devagar. Na confusão desapareço.
Pelo menos a tendência é desaparecer, não vou me iludir. Quero gritar pra alguém ouvir.
Tem sempre alguém disposto a ouvir. Será?
Tem sempre alguém disposto a falar. Tá na hora de falar direito pra, aí sim, ter alguém disposto a ouvir.
Avante.
Tô sentindo que essa é a hora.
Salve 2010, salve uma nova década.
A vida passa rápido e o mundo gira devagar. Na confusão desapareço.
Pelo menos a tendência é desaparecer, não vou me iludir. Quero gritar pra alguém ouvir.
Tem sempre alguém disposto a ouvir. Será?
Tem sempre alguém disposto a falar. Tá na hora de falar direito pra, aí sim, ter alguém disposto a ouvir.
Avante.
domingo, 1 de novembro de 2009
Para São Paulo
Tudo incerto, tudo indo
Abre mundo, rasga vento
Abre! Abre!
O momento do pulo é fundamental pra quem quer uma boa queda.
Que merda
Esse mundo é grande demais
Muita gente, muita coisa diferente
Muita gente.
Abre mundo, rasga vento
Abre! Abre!
O momento do pulo é fundamental pra quem quer uma boa queda.
Que merda
Esse mundo é grande demais
Muita gente, muita coisa diferente
Muita gente.
segunda-feira, 26 de outubro de 2009
Rua Arnaldo Prata
No palco um banco onde está sentada uma mulher, Mulher 1, lendo uma revista. Da platéia entra uma outra mulher, Mulher 2 como se estivesse procurando alguma coisa. Sobe no palco e vê a mulher sentada no banco como uma esperança.
Mulher 1 – Com licença.
Mulher 2 – Pois não?
Mulher 1 – Você poderia me dar uma informação? É que eu to meio perdida.
Mulher 2 – Mas é claro.
Mulher 1 – A senhora sabe onde fica a Rua Arnaldo Prata?
Mulher 2 – Como é que é?? A senhora está indo pra essa rua??
Mulher 1 – Estou sim.
Mulher 2 – Então a senhora vai me desculpar mas a senhora não bate bem. Pruma pessoa querer ir pra esse lugar, justamente esse lugar, só pode ser completamente louca!
Mulher 1 – Jura??
Mulher 2 – Louca varrida!! Minha senhora, o Iraque, Afeganistão, a Tijuca é tranqüila perto dessa Rua!! Meu Deus... O que a senhora pretende fazer nesse ninho do mal??
Mulher 1 – Eu preciso visitar uma amiga minha...
Mulher 2 – Uma amiga sua?? Peraí, não vai me dizer que essa sua amiga se chama...
Mulher 1 – Lúcia.
Mulher 2 – Meu Deus!!! Sua amiga é a Lucia??!! Por que você vai visitar a Lucia?? A senhora realmente não bate bem!! Logo a Lucia que a senhora vai visitar??
Mulher 1 – Qual é o problema?? Eu sou amiga da Lucia!
Mulher 2 – Já começou mal, né? Nunca tenha relações com alguém que more nesse inferno em forma de rua!! A senhora foi ter relações logo com a pior de todas??
Mulher 1 – A Lucia??
Mulher 2 – Nem fala esse nome perto de mim...
Mulher 1 – Meu Deus, mas o que tem de tão ruim nessa maldita rua. E pior o quê que a Lucia tem pra piorar ainda mais a situação??
Mulher 2 – Meu Deus, nem queira saber... Você quer mesmo saber o que faz dessa rua a mais maldita que já conheci??
Mulher 1 – Por favor!
Mulher 2 – A senhora, por acaso, tem medo de anões??
Mulher 1 – Não.
Mulher 2 – E de anões cabeludos?
Mulher 1 – Também não.
Mulher 2 – Hmmm... Melhorou um pouco a sua situação. Acho que já posso te contar o paradeiro dessa rua diabólica.
Mulher 1 – Meu Deus, mas o quê que anões e anões cabeludos tem a ver com essa rua??
Mulher 2 – Ih, minha filha, você tá realmente por fora. Nem te contei e você já tá toda intrigada! Espera eu chegar na parte que envolve a Lucia. Ah, pra te contar a parte que envolve a Lucia eu preciso te perguntar: Você tem medo de palhaços??
Mulher 1 – Não!
Mulher 2 – E de anões palhaços?
Mulher 1 – Também não!!
Mulher 2 – E de anões palhaços com uma leve pelugem?
Mulher 1 – Mas isso envolve a Lucia?!?!
Mulher 2 – Bom, podemos dizer que a pelugem foi exagero meu.
Mulher 1 – Mas não é possível!! Eu conheço a Lucia há anos!! Há anos!!! Nunca tive nenhum contato com palhaços anões que...
Mulher 2 – Palhaços anões com pelugem. Pelugem não foi exagero não.
Mulher 1 – Enfim, eu nunca tive contato com anões palhaços peludos que envolvessem a Lucia. Eu to indo na casa dela até pra ver se ela tá bem. O namorado de anos dela terminou com ela.
Mulher 2 – Esse namorado dela, não seria o...
Mulher 1 – O Julio.
Mulher 2 – Ai, meus Deus!!! Meu deus!!! O Julio é o pior de todos, querida!!
Mulher 1 – Jura??
Mulher 2 – Se você quiser eu te conto também sobre o Julio. Mas você, por acaso, tem medo de pêssegos gigantes geneticamente modificados que devoram pessoas?
Mulher 1 – Meu Deus, não sei. Devo ter!
Mulher 2 – Bom, então a história do Julio é melhor eu não te contar, né?? Mas eu te conto tudo sobre essa maldita rua e a louca da Lucia, já que você não tem medo de anões palhaços peludos... Tem certeza que você não tem medo de anões peludos vestidos de palhaço??
Mulher 1 – Tenho!
Mulher 2 – Então tá.
Mulher 1 – Mas isso é muito louco. É tudo muito louco!! Como eu nunca desconfiei?? A Lucia nunca me falou nada.
Mulher 2 – As pessoas mentem, querida.
Mulher 1 - Mas a Lucia sempre me pareceu tão centrada.
Mulher 2 – Ah, é! Centrada em anões peludos travestidos de palhaço!!
Mulher 1 – Eu não acredito!! Pelo amor de Deus, me conta logo o paradeiro da tão temida e, pelo visto, bizarra, Rua...
Mulher 2 – Não fale alto o nome da Rua. Podem até te prender.
Mulher 1 – Meu Deus, é tão grave assim??
Mulher 2 – Querida, você não entendeu?? Não estamos falando de qualquer rua!! Estamos falando da Rua Armando Prates!!
Mulher 1 – Arnaldo Prata.
Mulher 2 – Oi?
Mulher 1 – Arnaldo Prata. O nome da Rua é Arnaldo Prata.
Mulher 2 – Ah, é?
Mulher 1 – Aham.
Mulher 2 – Ah, Arnaldo Prata não sei onde fica não.
Mulher 2 volta a ler a revista. Mulher 1 desolada.
B.O.
Texto de 2006
Mulher 1 – Com licença.
Mulher 2 – Pois não?
Mulher 1 – Você poderia me dar uma informação? É que eu to meio perdida.
Mulher 2 – Mas é claro.
Mulher 1 – A senhora sabe onde fica a Rua Arnaldo Prata?
Mulher 2 – Como é que é?? A senhora está indo pra essa rua??
Mulher 1 – Estou sim.
Mulher 2 – Então a senhora vai me desculpar mas a senhora não bate bem. Pruma pessoa querer ir pra esse lugar, justamente esse lugar, só pode ser completamente louca!
Mulher 1 – Jura??
Mulher 2 – Louca varrida!! Minha senhora, o Iraque, Afeganistão, a Tijuca é tranqüila perto dessa Rua!! Meu Deus... O que a senhora pretende fazer nesse ninho do mal??
Mulher 1 – Eu preciso visitar uma amiga minha...
Mulher 2 – Uma amiga sua?? Peraí, não vai me dizer que essa sua amiga se chama...
Mulher 1 – Lúcia.
Mulher 2 – Meu Deus!!! Sua amiga é a Lucia??!! Por que você vai visitar a Lucia?? A senhora realmente não bate bem!! Logo a Lucia que a senhora vai visitar??
Mulher 1 – Qual é o problema?? Eu sou amiga da Lucia!
Mulher 2 – Já começou mal, né? Nunca tenha relações com alguém que more nesse inferno em forma de rua!! A senhora foi ter relações logo com a pior de todas??
Mulher 1 – A Lucia??
Mulher 2 – Nem fala esse nome perto de mim...
Mulher 1 – Meu Deus, mas o que tem de tão ruim nessa maldita rua. E pior o quê que a Lucia tem pra piorar ainda mais a situação??
Mulher 2 – Meu Deus, nem queira saber... Você quer mesmo saber o que faz dessa rua a mais maldita que já conheci??
Mulher 1 – Por favor!
Mulher 2 – A senhora, por acaso, tem medo de anões??
Mulher 1 – Não.
Mulher 2 – E de anões cabeludos?
Mulher 1 – Também não.
Mulher 2 – Hmmm... Melhorou um pouco a sua situação. Acho que já posso te contar o paradeiro dessa rua diabólica.
Mulher 1 – Meu Deus, mas o quê que anões e anões cabeludos tem a ver com essa rua??
Mulher 2 – Ih, minha filha, você tá realmente por fora. Nem te contei e você já tá toda intrigada! Espera eu chegar na parte que envolve a Lucia. Ah, pra te contar a parte que envolve a Lucia eu preciso te perguntar: Você tem medo de palhaços??
Mulher 1 – Não!
Mulher 2 – E de anões palhaços?
Mulher 1 – Também não!!
Mulher 2 – E de anões palhaços com uma leve pelugem?
Mulher 1 – Mas isso envolve a Lucia?!?!
Mulher 2 – Bom, podemos dizer que a pelugem foi exagero meu.
Mulher 1 – Mas não é possível!! Eu conheço a Lucia há anos!! Há anos!!! Nunca tive nenhum contato com palhaços anões que...
Mulher 2 – Palhaços anões com pelugem. Pelugem não foi exagero não.
Mulher 1 – Enfim, eu nunca tive contato com anões palhaços peludos que envolvessem a Lucia. Eu to indo na casa dela até pra ver se ela tá bem. O namorado de anos dela terminou com ela.
Mulher 2 – Esse namorado dela, não seria o...
Mulher 1 – O Julio.
Mulher 2 – Ai, meus Deus!!! Meu deus!!! O Julio é o pior de todos, querida!!
Mulher 1 – Jura??
Mulher 2 – Se você quiser eu te conto também sobre o Julio. Mas você, por acaso, tem medo de pêssegos gigantes geneticamente modificados que devoram pessoas?
Mulher 1 – Meu Deus, não sei. Devo ter!
Mulher 2 – Bom, então a história do Julio é melhor eu não te contar, né?? Mas eu te conto tudo sobre essa maldita rua e a louca da Lucia, já que você não tem medo de anões palhaços peludos... Tem certeza que você não tem medo de anões peludos vestidos de palhaço??
Mulher 1 – Tenho!
Mulher 2 – Então tá.
Mulher 1 – Mas isso é muito louco. É tudo muito louco!! Como eu nunca desconfiei?? A Lucia nunca me falou nada.
Mulher 2 – As pessoas mentem, querida.
Mulher 1 - Mas a Lucia sempre me pareceu tão centrada.
Mulher 2 – Ah, é! Centrada em anões peludos travestidos de palhaço!!
Mulher 1 – Eu não acredito!! Pelo amor de Deus, me conta logo o paradeiro da tão temida e, pelo visto, bizarra, Rua...
Mulher 2 – Não fale alto o nome da Rua. Podem até te prender.
Mulher 1 – Meu Deus, é tão grave assim??
Mulher 2 – Querida, você não entendeu?? Não estamos falando de qualquer rua!! Estamos falando da Rua Armando Prates!!
Mulher 1 – Arnaldo Prata.
Mulher 2 – Oi?
Mulher 1 – Arnaldo Prata. O nome da Rua é Arnaldo Prata.
Mulher 2 – Ah, é?
Mulher 1 – Aham.
Mulher 2 – Ah, Arnaldo Prata não sei onde fica não.
Mulher 2 volta a ler a revista. Mulher 1 desolada.
B.O.
Texto de 2006
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